domingo, 9 de novembro de 2008

conto

mas estava triste, cabisbaixo, sofrido, de um sofrimento que estranhava porque tinha uma vida feliz e satisteira, estava aceitando a vida da maneira que ela era e estrava muito essa espécie de torpor...

conto

a tristeza sem fim hoje é minha, nesse domingo de tempo fechado. ouço bach, alegro, para acalmar minha alma e entrar dentro de mim mesmo, assumir a minha tristeza profundamente, num dia em que tenho o direito de nao fazer nada a nao ser estruturar a minha alma e esquecer que o meu cérebro, de raciocínios deve as vezes dar espaço para amar e ser amado com menos apego e mais sinceridade e grandeza.

9 de Novembro de 2008 12:53

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

conto


Quinze de agosto, meu avô faria cento e vinte e seis anos e meu amigo gonçalo faz cinqüenta। Você me acha por e-mail. Eu fico nervoso com as louras, se for linda então complica mais. Chego na plataforma do metrô e uma loura do perfil dela me olha de longe, vou na direção como se fosse, mas não falo nada, fico na sua frente, os dois desconcertados. Tenho vontade de falar não consigo. As portas se abrem deixo todos entrarem e ocuparem os assentos. Fico de pé em frente. Chega um senhor de muletas, ela oferece e ele recusa. Na próxima parada a pessoa do lado dela desce. Vou e também pergunto se ele não quer sentar, recusa. Sento. Ela está, como eu, mexida, pega o celular e pluga o som, bate os pés no chão ao ritmo da música. Catete station, diz a locutora, locutora ou loucutora? Não sei o que fazer. Minha vida de sedutor está chegando ao fim e não sei o que faço com isso. Não estou acostumado. Glória station. A minha vida agora parece que vai ser um romance e o que disse para uma amiga parece que vai acontecer comigo: “voce agora vai viver um grande amor”. Mas eu estava falando dela. Decido que vou deixar ela descer. Carioca station. Talvez o medo da lourice seja da minha mãe, não sei. Ela, o meu amor, é a minha mãe loura. Será? Mas como eu vou deixar uma mulher linda passar sem fazer nada? Escrevo isso tudo enquanto penso, num caderno azul tibetano. Talvez esteja escrevendo para lidar com essa situação, para a ficção se separar da realidade. Mas isso é realidade ou ficção? Poder lidar com essa situação estranha, da mesma forma que ela está fazendo com o celular, ouvindo musica, disfarçando. Como lidar com essa situação de amor, de sedução, de atração, enfim dessa distância entre o masculino e o feminino. Estou com fome. Nunca se imagina que vamos ficar tanto tempo junto de uma pessoa, como esta, com uma mulher linda ao meu lado, que ouve música, enrola o cabelo louro com os dedos esquerdos. Eu sou escritor. Posso pegar o e-mail dela e mandar o que estou escrevendo. Ensaio, ensaio e não sai. Será que me volto para cá ou para vitória. Não há dúvida, vitória é presença. Chega a minha estação, desço triste, nervoso, agitado, faminto.15 de agosto de 2008
a ilustração é uma fotografia de márcia monteiro.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

conto

a loura anunciada
morava na beira do mar e vivia pintando. não que naquele momento vivesse exatamente de pintura, mas pintava porque o seu movimento de corpo exigia. vivia do sonho de que viveria de pintura e bebia muita água. tinha um sala ampla com um piano de calda, onde, para chegar aos vazios, dedilhava uma música ou outra acompanhando o som do triunvirat. ouvia sempre as mesmas músicas para variar quando pincelava. nunca entendia as letras, mas isso não era importante. O ritmo é que embalava a pintura. por vezes misturava com mozart, vivaldi e bach. estava sòzinho. a campainha soou e ele abriu a porta para o tarólogo esperado, que sentou, abriu as cartas e sentenciou a sua vida amorosa: “você vai voltar para paris com uma perspectiva de sucesso não sei em que, mas com uma mulher loura de olhos verdes. você vai conhecê-la numa festa e será um amor a primeira vista”.
26 de dezembro de 1992

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

conto

conto do livro comum.
sou apaixonado por você desde o dia que te vi, delicadamente segurando um quadro do buda. te beijei porque achei que te conhecia e não me dei conta que o seu rosto é padrão de beleza do meu tempo. todos a copiam: atrizes, jogadoras de tênis, modelos de jeans e até a namorada do homem aranha. mas você tem um homem feio na cartola que me deu vontade de ser o mais belo dos feios. e parece que consegui. sinto que te emociono. ontem, sem saber porque, comprei um livro para nós dois. lindo e lido vou deixar com você enquanto não moramos na mesma casa.

sábado, 30 de agosto de 2008

conto

Fome
Poema de amor para uma noite infinita
Ele ficou de frente para onde em vinha, um degrau mais alto. Fiquei descalça enroscada nos seus braços, alisando meus cabelos. Me desabotoou. Enfiou muitas mãos por dentro do meu capote, me beijando, alisando minha pele através da seda. Andamos até o quiosque onde pedi um sanduíche de queijo com fanta (adoro fanta). Viramos e ele se encostou numa parede cega do quiosque onde só o mar nos via, me abraçou, abriu de novo os botões grandes do capote preto que coloquei nem sei porque e foi me abrindo. Encostou as mãos na minha pele, subindo pelas costas, passando para a frente. A ponta dos seus dedos tocaram meus seios, rígidos, estremecida. Seu corpo se encantou com o meu, boca deslizada pela minha. Desceu as mãos por dentro da calça, seu antebraço enroscado, quatro coxas como que não existindo tecidos entre elas. Meu coração vinha e voltava, emoção pura. Olhou nos meus olhos, girou o corpo e me levou mão dada até a areia, perto da água fria e salgada. Equilibramos. Me deitou, abraçando. Abriu delicadamente o feche-eclair das duas calças e nos amamos muito. Ficamos abraçados. Levantou-me pela mão e retornamos a parede cega onde o rapaz do quiosque tinha deixado o sanduíche de queijo, ao lado da fanta que adorei ainda mais. Saciei minha fome.

terça-feira, 29 de julho de 2008

pensamento

toda vez que você escrever para uma pessoa que você ama, escreva como se estivesse escrevendo um livro.