a loura anunciada
morava na beira do mar e vivia pintando. não que naquele momento vivesse exatamente de pintura, mas pintava porque o seu movimento de corpo exigia. vivia do sonho de que viveria de pintura e bebia muita água. tinha um sala ampla com um piano de calda, onde, para chegar aos vazios, dedilhava uma música ou outra acompanhando o som do triunvirat. ouvia sempre as mesmas músicas para variar quando pincelava. nunca entendia as letras, mas isso não era importante. O ritmo é que embalava a pintura. por vezes misturava com mozart, vivaldi e bach. estava sòzinho. a campainha soou e ele abriu a porta para o tarólogo esperado, que sentou, abriu as cartas e sentenciou a sua vida amorosa: “você vai voltar para paris com uma perspectiva de sucesso não sei em que, mas com uma mulher loura de olhos verdes. você vai conhecê-la numa festa e será um amor a primeira vista”.
26 de dezembro de 1992
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
conto
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
conto
conto do livro comum.
sou apaixonado por você desde o dia que te vi, delicadamente segurando um quadro do buda. te beijei porque achei que te conhecia e não me dei conta que o seu rosto é padrão de beleza do meu tempo. todos a copiam: atrizes, jogadoras de tênis, modelos de jeans e até a namorada do homem aranha. mas você tem um homem feio na cartola que me deu vontade de ser o mais belo dos feios. e parece que consegui. sinto que te emociono. ontem, sem saber porque, comprei um livro para nós dois. lindo e lido vou deixar com você enquanto não moramos na mesma casa.
sábado, 30 de agosto de 2008
conto
Fome
Poema de amor para uma noite infinita
Ele ficou de frente para onde em vinha, um degrau mais alto. Fiquei descalça enroscada nos seus braços, alisando meus cabelos. Me desabotoou. Enfiou muitas mãos por dentro do meu capote, me beijando, alisando minha pele através da seda. Andamos até o quiosque onde pedi um sanduíche de queijo com fanta (adoro fanta). Viramos e ele se encostou numa parede cega do quiosque onde só o mar nos via, me abraçou, abriu de novo os botões grandes do capote preto que coloquei nem sei porque e foi me abrindo. Encostou as mãos na minha pele, subindo pelas costas, passando para a frente. A ponta dos seus dedos tocaram meus seios, rígidos, estremecida. Seu corpo se encantou com o meu, boca deslizada pela minha. Desceu as mãos por dentro da calça, seu antebraço enroscado, quatro coxas como que não existindo tecidos entre elas. Meu coração vinha e voltava, emoção pura. Olhou nos meus olhos, girou o corpo e me levou mão dada até a areia, perto da água fria e salgada. Equilibramos. Me deitou, abraçando. Abriu delicadamente o feche-eclair das duas calças e nos amamos muito. Ficamos abraçados. Levantou-me pela mão e retornamos a parede cega onde o rapaz do quiosque tinha deixado o sanduíche de queijo, ao lado da fanta que adorei ainda mais. Saciei minha fome.
Poema de amor para uma noite infinita
Ele ficou de frente para onde em vinha, um degrau mais alto. Fiquei descalça enroscada nos seus braços, alisando meus cabelos. Me desabotoou. Enfiou muitas mãos por dentro do meu capote, me beijando, alisando minha pele através da seda. Andamos até o quiosque onde pedi um sanduíche de queijo com fanta (adoro fanta). Viramos e ele se encostou numa parede cega do quiosque onde só o mar nos via, me abraçou, abriu de novo os botões grandes do capote preto que coloquei nem sei porque e foi me abrindo. Encostou as mãos na minha pele, subindo pelas costas, passando para a frente. A ponta dos seus dedos tocaram meus seios, rígidos, estremecida. Seu corpo se encantou com o meu, boca deslizada pela minha. Desceu as mãos por dentro da calça, seu antebraço enroscado, quatro coxas como que não existindo tecidos entre elas. Meu coração vinha e voltava, emoção pura. Olhou nos meus olhos, girou o corpo e me levou mão dada até a areia, perto da água fria e salgada. Equilibramos. Me deitou, abraçando. Abriu delicadamente o feche-eclair das duas calças e nos amamos muito. Ficamos abraçados. Levantou-me pela mão e retornamos a parede cega onde o rapaz do quiosque tinha deixado o sanduíche de queijo, ao lado da fanta que adorei ainda mais. Saciei minha fome.
terça-feira, 29 de julho de 2008
pensamento
toda vez que você escrever para uma pessoa que você ama, escreva como se estivesse escrevendo um livro.
sábado, 12 de julho de 2008
conto
O monge zen estava dando ensinamentos para treze discípulos. Não era um espaço grande, mas três janelas abertas numa esquina urbana fazia a voz dele oscilar. Após a prática, na mesa de café coletivo três discípulos se manifestaram.
- não se ouvia bem o que o senhor falava – disse o primeiro.
- faz parte da prática – respondeu o monge.
- eu só ouvi um dos três koans que o senhor falou.
- lide apenas com o koan que você ouviu.
- mas eu – se manifestou o terceiro – não ouvi nada.
- fique em silêncio.
- não se ouvia bem o que o senhor falava – disse o primeiro.
- faz parte da prática – respondeu o monge.
- eu só ouvi um dos três koans que o senhor falou.
- lide apenas com o koan que você ouviu.
- mas eu – se manifestou o terceiro – não ouvi nada.
- fique em silêncio.
sábado, 31 de maio de 2008
Conto: capítulo 6 de os mutilados
O céu do parque Villa Lobos
Fiquei um tempão abrindo e fechando o armário, experimentando roupa, gastando o espelho até optar por um vestido azul, um pouco transparente। Ele tinha estofo। Outro tanto de tempo tinha ficado debaixo do chuveiro, me aguando, tentando tirar o gosto de hospital da minha pele. Saí cheirosa, nervosa. Quando o telefone tocou demorei a falar. Ele me esperava o tempo que fosse preciso, tranqüilo. Não acreditei quando parei com meu carro preto e ele sentou ao meu lado, com seu beijo gostoso, rosto fino, seu sorriso agradável, que contrastava com todas as discussões que já tínhamos vivido via e-mail, on-line, telefone. Era mais do que eu poderia esperar. Quase atropelei um pedestre antes dele apertar a trava do cinto e gastei apenas duas quadras para entrar no restaurante que ele mesmo tinha escolhido para comermos massa com camarão, distantes um do outro, num espaço primorosamente calculado por mim. Ele colocou a mão embaixo da minha cadeira e o arrastou para mais perto, gesto seguro. Eu queria parecer estranha em nossa conversa, idêntica ao que acontecia na internet. Pagou a conta e eu só tive chance de mostrar minha carteira de couro nova. Percorremos o restaurante esvaziado, descemos para pegar o carro e, na porta, colocou a mão na minha cintura, e me encostou. Foi tudo. Colei-me nos seus lábios, virei de frente e dei o abraço da minha vida. Delicadamente ele me puxou para a sombra e continuou, diante do olhar atônito dos seguranças e outro casal de clientes que aguardava o mesmo que nós. Vi meu carro negro por cima do seu ombro. Sentou e disse apenas: “para onde você vai me levar?”. Ao contrário do que eu mesma esperava, nos levei para um parque. Andamos abraçados pelas quadras de tênis, cheias de tenistas voltados para seus jogos. Me apertava mais e mais, esfregava sua mão na minha cintura, na minha bunda, cadenciado com os meus passos. Nos conduziu para o meio das árvores, foi entrando até que não ouvimos mais o bater das bolas. Desceu das costas sua pequena mochila, tirou um tecido branco e fino que voou com o vento fazendo ondas, pousou na relva. Me abraçou, beijando, foi fazendo um caracol com nossos corpos até deitarmos um sobre o outro, rolamos. Foi levantando o meu vestido, substituindo o azul pelo branco, translúcidos, me envolvendo. Deitada, percebi que os galhos das árvores ficaram ainda mais lindos. Amei muito.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
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