uma bela música tem o som de uma voz em silêncio.(ana clara lima)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
conto
sandro e luisa
Sandro olhava o rosto de Boticelli à sua frente. A água da banheira no seu corpo, aquecia a transposição do amor que tinha pela sua amada distante para a imagem a sua frente. Diminuia a distância que saia da sua alma e superava tudo. Tinha percorrido museus no mundo para ver, ao vivo o que seu mestre tinha feito de tão belo; e era sempre como se, vários séculos depois, lhe dissesse: "eis o que eu fiz de perfeito. não é para você copiar, porque isso eu já fiz mas apenas para mostrar que é fazível," Luisa, agora achada, era a sua "Venus".
Sandro olhava o rosto de Boticelli à sua frente. A água da banheira no seu corpo, aquecia a transposição do amor que tinha pela sua amada distante para a imagem a sua frente. Diminuia a distância que saia da sua alma e superava tudo. Tinha percorrido museus no mundo para ver, ao vivo o que seu mestre tinha feito de tão belo; e era sempre como se, vários séculos depois, lhe dissesse: "eis o que eu fiz de perfeito. não é para você copiar, porque isso eu já fiz mas apenas para mostrar que é fazível," Luisa, agora achada, era a sua "Venus".
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
conto 10 de os mutilados
Luiza de Ouro
(poema de amor para uma personagem fictícia)
Mesas cheias. As pessoas circulavam pelo shopping matando o tempo, as mulheres com seus celulares no ouvido confirmando o combinado, sempre aos casais. Os homens, elegância arranjada, exibiam suas barrigas, orgulhosos. Destoavam. Minha espera foi longa e pude me deliciar com as mulheres, altas em seus saltos, bem vestidas, penteadas. Atrizes subiam e desciam pela escada rolante como aeromoças, de um lado para o outro no corredor de um avião. A garçonete encostou a barriga na mesa e colocou o café. Luiza demorada me flagrou apertando o celular nas mãos. Sentou e pediu água com seu vestido curto, bege de flores amarelas, pequeninas. As pernas apareciam sobre uma sandália da cor do vestido. Parecíamos um para o outro. Nossas roupas e sapatos diferiam muito daquele uniforme de boutique, exibido ali, naquela noite de sábado. Tal qual ao telefone ela falava baixinho, um pouco emocionada com a caixa de bombons vermelhos que eu levei, combinando com tudo. Sua voz cadenciava em ondas. Ela nunca ligara para mim. Tive que descobrir que sua paixão era do tamanho da minha por vias inacreditáveis, que nem vou contar aqui. Pareceria ridículo. Tinha tido algumas experiências de encontros feitos através da internet, mas Luiza tinha sido a primeira que eu chamara on-line, telefonava, conversava pausadamente, ouvindo sua voz macia como sua pele, agora tocada. Parecia que nunca a veria. Tinha combinado de fotografá-la, mas sempre havia outras prioridades. Ficamos ali muito tempo no saguão. Passou o tempo das peças, todo o espaço encheu e esvaziou. Falamos de nós, tocando os dedos, olhar, uma ponta de cabelo, nossas unhas. Para nós (ela também confessara) era uma situação inacreditável. Tudo ia fechando e nós nos abrindo, entramos no seu carro e fomos até a praia, areia seca, tirando os sapatos, encharcando os pés no mar. Sentamos numa elevação de areia e ela me beijou gostoso, nossos corpos grudados. O sol apareceu, tímido no fundo do oceano, e nos iluminou no amor. Voltei para casa, com a caixa de bombons debaixo do braço e sua voz de telefone na minha memória. Nunca mais vi Luiza, a não ser nesse sonho.
(poema de amor para uma personagem fictícia)
Mesas cheias. As pessoas circulavam pelo shopping matando o tempo, as mulheres com seus celulares no ouvido confirmando o combinado, sempre aos casais. Os homens, elegância arranjada, exibiam suas barrigas, orgulhosos. Destoavam. Minha espera foi longa e pude me deliciar com as mulheres, altas em seus saltos, bem vestidas, penteadas. Atrizes subiam e desciam pela escada rolante como aeromoças, de um lado para o outro no corredor de um avião. A garçonete encostou a barriga na mesa e colocou o café. Luiza demorada me flagrou apertando o celular nas mãos. Sentou e pediu água com seu vestido curto, bege de flores amarelas, pequeninas. As pernas apareciam sobre uma sandália da cor do vestido. Parecíamos um para o outro. Nossas roupas e sapatos diferiam muito daquele uniforme de boutique, exibido ali, naquela noite de sábado. Tal qual ao telefone ela falava baixinho, um pouco emocionada com a caixa de bombons vermelhos que eu levei, combinando com tudo. Sua voz cadenciava em ondas. Ela nunca ligara para mim. Tive que descobrir que sua paixão era do tamanho da minha por vias inacreditáveis, que nem vou contar aqui. Pareceria ridículo. Tinha tido algumas experiências de encontros feitos através da internet, mas Luiza tinha sido a primeira que eu chamara on-line, telefonava, conversava pausadamente, ouvindo sua voz macia como sua pele, agora tocada. Parecia que nunca a veria. Tinha combinado de fotografá-la, mas sempre havia outras prioridades. Ficamos ali muito tempo no saguão. Passou o tempo das peças, todo o espaço encheu e esvaziou. Falamos de nós, tocando os dedos, olhar, uma ponta de cabelo, nossas unhas. Para nós (ela também confessara) era uma situação inacreditável. Tudo ia fechando e nós nos abrindo, entramos no seu carro e fomos até a praia, areia seca, tirando os sapatos, encharcando os pés no mar. Sentamos numa elevação de areia e ela me beijou gostoso, nossos corpos grudados. O sol apareceu, tímido no fundo do oceano, e nos iluminou no amor. Voltei para casa, com a caixa de bombons debaixo do braço e sua voz de telefone na minha memória. Nunca mais vi Luiza, a não ser nesse sonho.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
poesia
de limitado
pelas águas, pelas mágoas.
pelas ondas e pela espuma.
pelo amor de menos
e a invasão do que
parece amor demais.
de limitado pela
falta de limite.
por acreditar no que
quase ninguém acredita.
pela impossibilidade
do possível.
pela razão pura
de que é preciso
acreditar, sempre...de limitado pelas
lágrimas, que
não param de cair.pelo voo aéreo...
desejo...
metáfora da conquista
pelo que já disse
da falta de limite
E pela distância....vitória é o meu rio...
pelas águas, pelas mágoas.
pelas ondas e pela espuma.
pelo amor de menos
e a invasão do que
parece amor demais.
de limitado pela
falta de limite.
por acreditar no que
quase ninguém acredita.
pela impossibilidade
do possível.
pela razão pura
de que é preciso
acreditar, sempre...de limitado pelas
lágrimas, que
não param de cair.pelo voo aéreo...
desejo...
metáfora da conquista
pelo que já disse
da falta de limite
E pela distância....vitória é o meu rio...
domingo, 9 de novembro de 2008
conto
a tristeza sem fim hoje é minha, nesse domingo de tempo fechado. ouço bach, alegro, para acalmar minha alma e entrar dentro de mim mesmo, assumir a minha tristeza profundamente, num dia em que tenho o direito de nao fazer nada a nao ser estruturar a minha alma e esquecer que o meu cérebro, de raciocínios deve as vezes dar espaço para amar e ser amado com menos apego e mais sinceridade e grandeza.
9 de Novembro de 2008 12:53
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
conto

Quinze de agosto, meu avô faria cento e vinte e seis anos e meu amigo gonçalo faz cinqüenta। Você me acha por e-mail. Eu fico nervoso com as louras, se for linda então complica mais. Chego na plataforma do metrô e uma loura do perfil dela me olha de longe, vou na direção como se fosse, mas não falo nada, fico na sua frente, os dois desconcertados. Tenho vontade de falar não consigo. As portas se abrem deixo todos entrarem e ocuparem os assentos. Fico de pé em frente. Chega um senhor de muletas, ela oferece e ele recusa. Na próxima parada a pessoa do lado dela desce. Vou e também pergunto se ele não quer sentar, recusa. Sento. Ela está, como eu, mexida, pega o celular e pluga o som, bate os pés no chão ao ritmo da música. Catete station, diz a locutora, locutora ou loucutora? Não sei o que fazer. Minha vida de sedutor está chegando ao fim e não sei o que faço com isso. Não estou acostumado. Glória station. A minha vida agora parece que vai ser um romance e o que disse para uma amiga parece que vai acontecer comigo: “voce agora vai viver um grande amor”. Mas eu estava falando dela. Decido que vou deixar ela descer. Carioca station. Talvez o medo da lourice seja da minha mãe, não sei. Ela, o meu amor, é a minha mãe loura. Será? Mas como eu vou deixar uma mulher linda passar sem fazer nada? Escrevo isso tudo enquanto penso, num caderno azul tibetano. Talvez esteja escrevendo para lidar com essa situação, para a ficção se separar da realidade. Mas isso é realidade ou ficção? Poder lidar com essa situação estranha, da mesma forma que ela está fazendo com o celular, ouvindo musica, disfarçando. Como lidar com essa situação de amor, de sedução, de atração, enfim dessa distância entre o masculino e o feminino. Estou com fome. Nunca se imagina que vamos ficar tanto tempo junto de uma pessoa, como esta, com uma mulher linda ao meu lado, que ouve música, enrola o cabelo louro com os dedos esquerdos. Eu sou escritor. Posso pegar o e-mail dela e mandar o que estou escrevendo. Ensaio, ensaio e não sai. Será que me volto para cá ou para vitória. Não há dúvida, vitória é presença. Chega a minha estação, desço triste, nervoso, agitado, faminto.15 de agosto de 2008
a ilustração é uma fotografia de márcia monteiro.
veja o seu blog www.paisagensdalma.blogspot.com
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